FC Porto 3 Benfica 1




Dragão queima faixas

O FC Porto não só impediu o Benfica de fazer a festa do título, como deixou perante os seus adeptos uma imagem de orgulho e dignidade, mas também um certo sabor amargo. Quem é capaz de jogar da forma organizada, fria e eficaz como o fez ontem a equipa da casa, no mínimo devia ter estado na luta até ao fim. Mas essas são contas de outro rosário. Do confronto de ontem, quente, assanhado mais fora do campo do que dentro, resulta uma certeza: o Benfica não teve argumentos para pontuar, porque nunca foi capaz de jogar um futebol objectivo e prático, mesmo tendo alinhado contra dez durante mais de 40 minutos. Do lado contrário havia a determinação de não passar o testemunho em casa. Mais vontade do que raiva e futebol de qualidade superior, principalmente na segunda parte, em que jogou o tempo quase todo em inferioridade numérica. O tetracampeão desta vez não chega ao penta, nem sequer vai à Liga dos Campeões da próxima época, mas despediu-se dos seus adeptos de cabeça erguida. A questão do título fica adiada mais uma semana.

A precisar de um ponto, o Benfica apresentou-se no Dragão no 4x4x2 habitual mas na versão cautelosa, com Carlos Martins como organizador de jogo, em detrimento de Aimar. Ou seja, mais músculo e menos arte, pois o português defende bem mais do que o argentino, encostando-se muitas vezes a Ramires e Javi García. Jesualdo Ferreira opôs um FC Porto num esquema pouco usado, um 4x4x2 em losango com Guarín na posição 10, e um ataque com Farías a ponta-de-lança e Hulk como extremo, inicialmente à direita. Guarín era a chave do processo, pois apesar de não ter a arte de um pensador, tem boa capacidade de tiro e posicionava-se de modo a anular Javi García, tentando matar aí o início de construção ofensiva dos encarnados.

Encaixadas as equipas, de um lado e outro experimentavam o mesmo tipo de soluções: passes verticais, mas raramente foram bem sucedidos, porque se jogava com garra e arreganho, mas em espaço reduzido, porque cada um tentava anular o oponente, esperando um lampejo individual ou um lance bola parada para que houvesse golos. Bruno Alves foi o primeiro a descobrir o caminho para a baliza, a acorrer ao canto de Belluschi com uma movimentação perfeita, que deixou Luisão para trás. Para trás tinha ficado um remate de Di María à barra logo nos primeiros minutos e umas fogachadas de Hulk, bastante empreendedor, por vezes exagerado, mas com algum sentido de colectivo.

O facto de o FC Porto ter marcado perto do intervalo matou qualquer tentativa de resposta pronta do Benfica, que apostou nos mesmos para uma segunda parte que viria a ser diferente de tudo o esperado. Fucile foi expulso aos 51' e Jesualdo Ferreira teve de mexer na equipa. Abdicou de Raul Meireles para voltar a ter defesa-direito (entrou Miguel Lopes), passando Belluschi para a esquerda do meio-campo e Guarín para a direita. E aí o miolo portista teve um coração enorme, que contrastou com o reduzido número de ideias do adversário até à entrada de Aimar. Mesmo tendo empatado cedo (57'), o Benfica não conseguiu pegar no jogo, porque não tinha velocidade nem era capaz de criar desequilíbrios. Daí o FC Porto continuar a jogar de olhos nos olhos e ter respondido ao empate com um segundo golo que tirou Jesualdo do banco (expulso) e o Benfica do título.

Na batalha da táctica, Jesualdo trocou Farías por Rodriguez - em vantagem preferia jogar sem ponta-de-lança e com dois avançados abertos - e Jesus Javi García por Aimar. O Benfica passou a jogar um futebol mais inteligente, que esbarrou na boa organização defensiva de um FC Porto solidário e que nunca deixou de procurar o ataque. Houve oportunidades repartidas, Guarín esborrachou uma bola na barra de Quim e, depois, um lance de suprema inspiração de Belluschi acabou de vez com a contenda. Um golo de levantar o estádio e que premiou o excelente trabalho portista na segunda parte e castigou na medida certa a falta de soluções do Benfica, que sentiu a responsabilidade da partida e vai para a última jornada a precisar de um ponto.

Um referência final para Olegário Benquerença: independentemente dos erros, o problema maior esteve na postura e na forma como atacou a partida. Quando se tenta impor autoridade puxando do amarelo por tudo e por nada logo de início, ou o jogo acaba por inferioridade numérica ou a malha da exigência alarga demasiado. Foi o que aconteceu.




FC Porto 3-1 Benfica
Estádio do Dragão

relvado excelente

44902 espectadores

Árbitro Olegário Benquerença (AF Leiria)

Assistentes Bertino Miranda e José Cardinal

4º árbitro Cosme Machado

-

FC Porto
Treinador Jesualdo Ferreira

24 Beto GR 7

13 Fucile LD 6

14 Rolando DC 6

2 Bruno Alves DC 7

15 Álvaro Pereira LE 7

25 Fernando MD 7

6 Guarín MO 8

3 Raul Meireles MO a 56' 6

7 Belluschi MO a 90' 8

12 Hulk AV 7

19 Farías AV a 62' 6

-

33 Nuno GR

22 Miguel Lopes LD d 56' 5

16 Maicon DC

20 Tomás Costa MD d 90' -

8 Valeri MO

10 Rodriguez AE d 62' 5

29 Orlando Sá AV

-

Golos [1-0] 42' Bruno Alves; [2-1] 61' Farías; [3-1] 83' Belluschi

amarelos 5' e 51' Fucile, 44' Raul Meireles, 56' Bruno Alves, 63' Fernando, 90' Hulk

vermelhos 52' Fucile


Benfica
Treinador Jorge Jesus

12 Quim GR 4

14 Maxi Pereira LD 5

4 Luisão DC 4

23 David Luiz DC 4

18 Fábio Coentrão LE 5

6 Javi García MD a 64' 4

8 Ramires AD 5

17 Carlos Martins MO a 82' 4

20 Di María AE 5

30 Saviola AV a 67' 4

7 Cardozo AV 4

-

1 Moreira GR

22 Luís Filipe LD

28 Miguel Vítor DC

10 Aimar MO d 64' 6

25 César Peixoto AE

19 Weldon AV d 67' 3

31 Kardec AV d 82' -

-

Golo [1-1] 57' Luisão

amarelos 5' Di María, 12'Fábio Coentrão, 15' David Luiz, 41' Javi García, 57' Luisão, 79' Ramires, 90' Maxi Pereira

vermelhos Nada a assinalar.

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