O Concelho de Baião


Baião é uma vila portuguesa do Distrito do Porto, região Norte e subregião do Tâmega, com cerca de 2 800 habitantes.

É sede de um município com 175,71 km² de área e 21 152 habitantes (2006), subdividido em 20 freguesias. O Município é limitado a norte pelo município de Amarante, a leste pelo Peso da Régua e por Mesão Frio, a sul por Resende e Cinfães e a oeste pelo Marco de Canaveses.

História

Na passagem da Alta para a Baixa Idade Média, dá-se a formação da Terra de Baião, que era dominada por um castelo: o Castelo de Matos(de fundação Sueva), antigo Castelo de Penalva. A Terra de Baião é a origem da família nobre dos Baiões, descendentes de D. Arnaldo (trisavô de Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques), um guerreiro que veio combater os Mouros na península Ibérica, por volta de 985. As terras de Baião foram-lhe concedidas como prémio pela sua bravura, pelo rei de Castela. Alguns historiadores pensam que D. Arnaldo seria um guerreiro alemão que perdeu o seu ducado numa guerra; outros, que seria um cavaleiro de Bayonne, filho de um rei de Itália e neto de um rei de França, e que seria essa a origem do nome de Baião. O seu filho D. Gozende Arnaldo (ou Arnaldes) de Bayão deu o seu nome à povoação de Gozende, Gove, Baião.

Mais tarde, D. João I deu as terras de Baião a um parente do Condestável, D. Nuno Álvares Pereira. Tendo voltado à Coroa no tempo de D. João II, Baião recebeu foral de D. Manuel I, em 1513. Já no sec.XX,a serra da Aboboreira,foi lugar de várias aparições marianas(a um pastor local),facto que originou a construção da Capela de Nossa Senhora da Guia,onde acorrem muitos peregrinos,ou simples forasteiros,atraído pela paz,que aqui encontram.

Pré-História

Embora na Serra da Aboboreira tenha sido achado «um uniface talhado num calhau rolado de xisto» do Paleolítico Inferior (cerca de 30000 a.C.), terá sido no V ou IV milénio a.C. (de 5000 a 4500 a.C, no Neolítico) que surgiram os primeiros povoados, em plataformas próximas de linhas de água. Os estudos arqueológicos que têm vindo a ser realizados nas serras da Aboboreira e do Castelo, desde 1978, revelaram, já, a existência de uma vasta necrópole megalítica, das maiores que actualmente se conhecem em território português, com cerca de 4 dezenas de mamoas identificadas. As origens culturais deste concelho devem-se à passagem e fixação de vagas migratórias, vindas do sul da Alemanha (da região de Hallstat). Os Celtas foram a primeira cultura, que de forma consistente, aqui se fixou. Castros, meníres e outros achados arqueológicos mostram que esta foi uma região de domínio Celta. A cultura Celta permaneceu sempre neste enclave do Marão, e ainda hoje se faz sentir a sua presença.

Considerações Gerais

O Município de Baião apresenta, no âmbito dos seus elementos culturais, algumas das maiores referências ao património natural e cultural.

Para além do conjunto Megalítico composto pelas Serras da Aboboreira e do Castelo de Matos, onde possui o Campo Arqueológico da Serra da Aboboreira (CASA) com mais de cinco mil anos de povoamento ininterrupto, possui algumas espécies faunísticas únicas em toda a Península Ibérica e ainda preserva entre 30 a 40 por cento de algumas espécies animais e vegetais existentes em todo o território português. Também, neste âmbito, merece destaque o Convento de Santo André de Ancede (1113 d.C.), anterior à fundação da nacionalidade portuguesa cuja influência social e económica se fazia sentir numa extensão que ía do Porto à Régua durante o período medieval.

No âmbito literário, há que referir que Soeiro Pereira Gomes é natural de Baião (Gestaçô) e que o escritor Eça de Queirós se inspirou nas suas gentes, nas suas paisagens, nos usos e costumes locais, numa das suas obras mais conhecidas: A Cidade e as Serras. A Quinta de Vila Nova, em Sta. Cruz do Douro, Baião, é hoje conhecida por «Casa de Tormes» e a estação de comboio de Aregos foi rebaptizada de estação de «Tormes». António Mota, escritor cimeiro a nível nacional no âmbito da Literatura para Crianças e Jovens, reconhecido e diversas vezes premiado, nasceu (16 de Julho de 1957) em Vilarelho, na Freguesia de Ovil. O seu livro "Outros Tempos", escrito para adultos,com ilustrações da também Baionense Arquitecta Marta Lemos, é uma obra incontornável para quem queira conhecer como vivia o povo das zonas interiores nos meados dos século XX.

Na gastronomia, O concelho de Baião é famoso pela qualidade das suas carnes, nomeadamente, o fumeiro e o anho assado e pelos seus vinhos. Com vista a preservar os métodos de produção tradicionais destas carnes, e a valorizar a qualidade dos vinhos de Baião, a Câmara Municipal promove duas iniciativas gastronómicas, anualmente. Visitadas por milhares de pessoas, provenientes de vários pontos do País, a primeira, designada «Feira do Fumeiro e do Cozido à Portuguesa», realiza-se durante o mês de Março, e a segunda, conhecida por «Festival do Anho Assado e do Arroz do Forno», em finais de Julho. Simultaneamente a estas iniciativas, ocorre uma mostra de vinhos e artesanato, com especial ênfase para a cestaria e para as famosas bengalas de Gestaçô, da doçaria tradicional, com destaque para o Biscoito da Teixeira, e da música tradicional da região.

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